Uma Viagem Épica Aos Pirenéus - Daniel Santos Photography

Publicado a 08/11/2018

Uma Viagem Épica Aos Pirenéus

Os Pirenéus são conhecidos pelos picos de encostas ingremes e pelas paisagens repletas de florestas ricas em biodiversidade. Nada me deixa mais motivado para viajar do que a fotografia e a possibilidade de explorar novos habitats e espécies, portanto não poderia terminar esta aventura sem, pelo menos, tentar captar as incríveis paisagens e a fauna local.

Para o primeiro dia tinha planeado uma caminhada, que começa junto ao Lac de Bious-Artigues e termina no refúgio Ayous. O objetivo era fotografar o Pic du Midi d'Ossau, uma montanha com uma altitude máxima de 2884 m, de vertentes ingremes que se destaca de toda a paisagem envolvente. Desde início, o trilho é inclinado e desafiante, principalmente com vários quilos de equipamento fotográfico às costas. Depois de caminhar durante algum tempo rodeado por floresta, fui presenteado com uma vista impressionante para o Pic du Midi d'Ossau. Quando finalmente cheguei ao refúgio, fiquei ainda mais impressionado com o que estava diante dos meus olhos. Um lago reflectia a luz do entardecer e em segundo plano permanecia o imponente pico. “Isto é perfeito” pensei eu. No entanto, à medida que o pôr-do-sol se aproximava, começava a formar-se nevoeiro.


Pic du Midi D'Ossau

No dia seguinte, antes do nascer-do-sol, voltei ao lago com expectativas das condições estarem melhores. As temperaturas negativas tinham congelado completamente o solo e uma suave brisa agitava as águas do lago. Tudo se alinhava quase na perfeição e lá consegui uma imagem de que estou bastante orgulhoso.


Lac de genta and Pic du Midi D'Ossau

Continuei a caminhada com esperança de ver algumas espécies emblemáticas dos Pirenéus. À medida que progredia fui vendo alguns grifos (Gyps fulvus), enquanto várias gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) vocalizavam e voavam freneticamente de um lado para o outro . Mas foi mais tarde que finalmente vi algo que me deixou boquiaberto, marmotas (Marmota marmota). Estavam a recolher vegetação para forrar as suas tocas para hibernarem. Aos poucos foram aproximando-se e consegui fotografá-las. Pouco depois vi um vulto no céu, de início pensei que fosse mais um grifo, mas rapidamente percebi que era um quebra-ossos (Gypaetus barbatus), uma espécie que está extinta em Portugal desde o século XIX.


Red-billed chough (Pyrrhocorax pyrrhocorax)
Alpine marmot (Marmota marmota)
Bearded vulture (Gypaetus barbatus)

No terceiro dia decidi ir ao Cirque de Gavarnie. Nunca me senti tão pequeno, as paredes enormes deste local atingem os 1500 m de altura desde a base do vale. Uma cascata gigantesca precipita a mais de 420 m de altura.


Cirque de Gavarnie waterfall

No vale, para além de áreas de pasto, também existem florestas, ora dominadas por coníferas, típicas dos climas de altitude, ora dominadas por folhosas. Esta zona é ideal para fotografar mamíferos como as raposas, mas infelizmente não consegui ver nenhuma. Várias flores de outono, principalmente do género Crocus (açafrão-bravo) cobriam as áreas de pasto, mas foi a Campanula cochleariifolia que me chamou mais a atenção no coração da floresta.


Campanula cochleariifolia

No último dia tinha como missão fotografar uma espécie que apenas existe nos Pirenéus e nas montanhas Cantábricas, a Camurça-dos-Pirenéus (Rupicapra pyrenaica). Fui ao Cirque de Troumouse com a esperança de pelo menos ver camurças e fotografar marmotas. Apesar de isso não ter acontecido, tive a oportunidade de fotografar as montanhas à distância no momento em que o sol nascia. Nem sempre tudo corre como planeado, mas o importante é saber saborear cada momento e esta manhã foi particularmente agradável, pois reinava o silêncio de uma paisagem desprovida de vida humana e o sentimento de um local verdadeiramente selvagem.


Cirque de Tromouse

Esta viagem teve bons e maus momentos e cheguei mesmo a duvidar das minhas capacidades como fotógrafo, mas no final tudo valeu a pena e estou muito satisfeito com os resultados. O mais importante foram as experiências vividas e os locais lindíssimos que fiquei a conhecer, tudo o resto é secundário. Sem dúvida que este é um local para voltar no futuro!


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