O Gigante - Daniel Santos Photography

Publicado a 10/07/2018

O Gigante

No norte de Portugal existe um conjunto de montanhas conhecido como “Serra da Freita”. Esta serra está integrada no Geopark Arouca, reconhecido pelo seu excecional património geológico de relevância internacional. De entre todas as atrações geológicas, destacam-se as trilobites gigantes de Canelas, as pedras parideiras da Castanheira e os icnofósseis do vale do Paiva. Mas este lindíssimo local não se limita às particularidades geológicas. A Serra da Freita está repleta de biodiversidade e de paisagens fantásticas.


Uma das maiores relíquias que esta região esconde é a Frecha da Mizarela, uma cascata com mais de 60 metros de altura, sendo uma das mais altas da Europa. Um verdadeiro gigante! Já tinha visitado várias vezes este local, mas nunca tinha tido a oportunidade de o fotografar. Decidi então voltar com esse objetivo, juntamente com a ideia de fotografar o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e a rã-ibérica (Rana iberica), duas espécies que podem ser encontradas nas margens do rio. Penso que tanto o nascer-do-sol, como o pôr-do-sol são boas alturas do dia para fotografar a cascata, mas eu optei pelo segundo. Preparei a mochila com tudo que precisava e ao início da tarde dirigi-me ao local. Existe um miradouro, de onde é possível fotografar a cascata, no entanto, eu queria fazer uma imagem com uma composição distinta do que é comum vermos e como também queria fotografar duas espécies que existem junto ao rio, tive que descer em direção a este.


O caminho para a base da cascata não é fácil, especialmente com vários quilos de equipamento às costas. A descida é íngreme, mas o verdadeiro desafio está no caminho de volta. Uma vez junto ao rio, pude finalmente descansar um pouco e disfrutar do som da água a bater na rocha e das aves a cantar. Depois comecei a minha busca pelas rãs e pelo lagarto de água. As rãs-ibéricas são bastante fáceis de encontrar quando procuramos nos locais certos, encontrei às dezenas. Esta espécie, como o nome indica, apenas existe na Península Ibérica, sendo, portanto, endémica de Portugal e Espanha. Trata-se de uma espécie típica de zonas montanhosas, muito associada à água, ocorrendo junto de ribeiros com vegetação abundante. Está classificada pelo IUCN com o estatuto de conservação de “Quase ameaçada”, uma vez que as suas populações estão em declínio significativo e a sua distribuição mundial é bastante reduzida. Das principais ameaças à sua sobrevivência destaca-se a perda de habitat e pressão direta por parte do Homem (por exemplo, turismo).


Esta foto está longe de ser excelente e até já consegui melhores desta espécie, mas estou satisfeito com o resultado.


O lagarto-de-água foi um pouco mais difícil de encontrar, mas lá consegui encontrar uma fêmea. Na realidade fiquei cara-a-cara com o animal quando o procurava numa fenda de uma rocha. Quando dei por mim o lagarto estava literalmente a alguns centímetros da minha cara, então afastei-me e sentei-me à espera que se movesse para um local melhor. O lagarto-de-água é também endémico da Península Ibérica e é conhecido pela sua beleza. Durante a época de reprodução os machos apresentam a cabeça azul, o que contrasta com o corpo verde e a cauda laranja. Inicialmente tinha como objetivo fotografar um macho, mas não consegui encontrar nenhum. Esta foi a primeira vez que fotografei a espécie e apesar de não ter encontrado um macho, foi extremamente gratificante ter a oportunidade de fotografar um lagarto-de-água.


Com o aproximar da hora do pôr-do-sol, procurei uma composição que transmitisse a beleza do local, posicionei o tripé e programei a câmara. Esperei pelo menos 2 horas pela luz do pôr-do-sol, mas esta nunca aconteceu, tendo em conta que o céu, com o passar do tempo, ficou coberto de nuvens. Decidi que teria que voltar noutro dia. No segundo dia, preparei a foto exatamente da mesma forma que tinha feito no primeiro. Apesar de a luz não ter voltado a acontecer da forma que eu esperava (nuvens a refletir a cor laranja do sol) consegui uma imagem significativamente melhor do que a primeira. Optei por um panorama vertical de 5 fotos, porque não foi possível incluir tudo numa única foto.


Este local é lindíssimo e sua tranquilidade dá a sensação de que estamos isolados do mundo moderno. Com certeza voltarei no futuro para fotografar nas condições que desejava inicialmente.


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